Maciej Babinski

Exposição Retratos eriçados

LOCAL   Pharmacia Cultural Fundação Stickel
R. Nova Cidade 195 - Vila Olímpia - Tel 11 3083-2811
 
ABERTURA   Sábado, 7 Setembro 2019 das 11:00 às 15:00h
Encerramento em 1 Novembro 2019
 
OBRAS   66 desenhos da série retratos eriçados
2 pinturas com os títulos "Protagonista" e "Paisagem Carbonizada"
 
TÉCNICA   Desenhos: grafite e aquarela sobre papel, 53 x 40 cm
Pinturas: óleo sobre tela, 150 x 200 cm
 
CURADORIA   Agnaldo Farias e Fernando Stickel
 
EXPOGRAFIA   Fernando Stickel
 
MONTAGEM   Marco Antonio Ribeiro da Silva
 
PESQUISA   Bruno Schiavo
 
MESA   às 12h, conversa entre Maciej Babinski, Agnaldo Farias e Fernando Stickel
 
FILME   às 13h e às 14h, exibições do documentário "Babinski", de Daniel Babinski
 

A Pharmacia Cultural - espaço expositivo e centro de atividades criativas de toda ordem e qualidade da Fundação Stickel – tem o privilégio de apresentar Retratos eriçados, a mais nova série de desenhos de Maciej Babinski, o mítico artista nascido na Polônia em 1931, radicado no Brasil desde 1953, mais uma involuntária contribuição do nazismo para a civilização ocidental. Foi precisamente no dia 6 de agosto de 1953 que Babinski desembarcou no Rio de Janeiro vindo do Canadá, onde gelava junto com a família, portando pouquíssimos dólares e algumas gravuras que, em compensação, lhe valeram o reconhecimento instantâneo de Darel Valença Lins, Osvaldo Goeldi e o grande colecionador Castro Maya. Precisa mais?

Andejo por natureza, Babinski rodou pelo Brasil, e em 1965, graças aos militares e de uma reitoria que lhes era cúmplice, pediu demissão do cargo de professor do centro de artes da Universidade de Brasília. Donde se conclui que São Paulo deve Babinski à ditadura. Uma vez aqui, logo chamou a atenção de Wesley Duke Lee, Nelson Leirner e, passados alguns anos, introduziu a prática da gravura na célebre Escola Brasil:, de Baravelli, Resende, Nasser e Fajardo. Amafumbado no subsolo da escola, transformou o porão na fábrica de suas imagens fantásticas e suas aquarelas sem par (Atenção, não se trata de exagero).

Depois de passagens por Goiás e Minas (Uberlândia), foi reintegrado à Universidade de Brasília em 1985, por obra do reitor Cristovão Buarque e, em seguida, na bica de se aposentar, apaixonou-se por Lidia. Graças a ela, que é cearense, em 1992 rumou para Várzea Alegre, encravada no cariri. Lá, quase "sem rádio e sem notícia das terra civilizada", como cantava o grande Luis Gonzaga, nascido ali pertinho, do outro lado da fronteira, a obra do grande artista, ao mesmo tempo em que se escondeu de nós, moradores das grandes cidades, e talvez por causa disso mesmo, vicejou.

Babinski segue fazendo gravuras, aquarelas e pinturas. Desenhando sempre, é claro, dado que não se concebe nenhuma das práticas acima sem desenho, linguagem mãe. Segue produzindo copiosamente sem ser interrompido pelo demônio do celular, que lá pega muito mal, e que faz da nossa produção metropolitana um hiato entre chamadas e verificações sucessivas da caixa de entrada do whatsapp.

Nosso artista é fundamentalmente focado em dois assuntos que, a seu ver, se interpenetram: a natureza – vegetal e mineral, e a natureza humana, esse animal de comportamento raro, imprevisível, assanhado, nós mesmos, tema no qual sempre esteve enredado e que ele leva a confins surpreendentes.

Fernando Stickel, artista, diretor da Fundação Stickel e amigo de longa data de Babinski, convidou Agnaldo Farias e juntos abalaram-se até Várzea Alegre. De lá trouxeram essa série de 66 magníficos desenhos, além de duas pinturas que, como salientou o artista, louvando a escolha dos curadores e ressaltando o movimento dialético de sua pesquisa, nasceram e propiciaram o nascimento da série.

Retratos eriçados reúne um impressionante conjunto de desenhos cuja tônica é uma gestualidade tensa, explosiva. Eles diferem das gravuras minuciosas, diante das quais os olhos esquadrinham incansavelmente, das pinturas cujo cromatismo desatado atua como protagonista. Nesses desenhos o gesto é solto e a serviço da representação de pessoas – uma, duas, três ou mais, conversando animadas, silenciosamente ensimesmadas, apaixonadas ou às turras, não raro amarguradas, esbravejando, alvo de desprezo ou de um desejo voraz; as cenas seguem sempre diferentes.

Trata-se, já se vê, de desenhos psicológicos, que deixam ver o interesse e respeito do artista pela natureza humana, sua tentativa em capturar a variedade infinita das possibilidades expressivas. Sua mão liberta-se da educação, afinal o que mais, em se tratando desse tema tão profundo e enigmático, poderia reter um gesto educado? Em diapasão semelhante vêm as pinceladas abertas, as manchas largas de cores esmaecidas, reforçando a vibração dos corpos e dos ambientes afetados pelo movimento interior dos retratados.

Retratos eriçados retoma em chave atualizada, fruto da maturidade do artista, sua herança de artista pertencente ao Automatistas canadenses, ligados ao Paul-Émile Borduas, hoje, na esteira da crítica ao eurocetrismo, recuperados na qualidade de um dos mais fecundos ramais do Surrealismo.

Agnaldo Farias

BABINSKI

Polonês de origem, radicado no Brasil em meados dos anos 1950, Maciej Antoni Babinski participa desde então do meio artístico do país. Nascido a 20 de abril de 1931 na cidade de Varsóvia, muda-se com a família em 1939 para a Inglaterra e, dez anos depois, estabelece-se no Canadá, onde realiza suas primeiras exposições. Junto ao grupo Les Automatistes reunido em torno de Paul-Émile Borduas, expõe no Museu de Belas Artes de Montreal em 1952 e, no ano seguinte, realiza sua primeira exposição individual. Já no Brasil, no Rio de Janeiro, aproxima-se de Oswaldo Goeldi, Augusto Rodrigues e Darel, participando de diversas mostras coletivas. Suas primeiras individuais no país acontecem em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, na galeria Selearte, em 1962, e na Petite Galerie, em 1964. Pelo período de um ano é professor convidado do Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília, do qual tem de se desligar vítima da perseguição política. De 1966 a 1974 vive em São Paulo, participando de diversas mostras entre as quais destacam-se: a participação na IX Bienal de São Paulo, em 1967; a individual “Aquarelas, desenhos e gravuras” no Clube dos Amigos do MASP, em 1969; a participação no “Panorama de Desenho e Gravura Nacional”, no MAM, em 1972; a individual “Aquarelas” na Galeria Luisa Strina, em 1975. Durante o período paulista, ministra aulas de artes no Ginásio Vocacional do Brooklin e na Escola Graduada. Morando em Minas Gerais, leciona na Universidade Federal de Uberlândia de 1979 até 1987. A partir de 1988, é reintegrado à UnB, ali permanecendo até 1991. Parte então para Várzea Alegre, no interior do Ceará, onde vive até hoje. Em 2004, é realizada a retrospectiva “Babinski: 50 anos de Brasil”, no Conjunto Cultural Caixa, e em 2010, “O Inferno Estético”, no Museu Nacional da República, ambas em Brasília; em 2012, “O Imaginário de Babinski: Gravuras, Aquarelas e Pinturas”, é apresentada no Museu Afro Brasil, São Paulo.

Principais Exposições Individuais

2016

O Sertão Alegre de Babinski - Figuração e Oralidade no Ceará
Museu da Cultura Cearense. Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza
Pinturas e gravuras

2012

O Ceará de Babinski - Um Fabulário Incandescente
Sobrado Dr. José Lourenço, Fortaleza. Museu Afro Brasil, São Paulo
Pinturas, aquarelas e gravuras

2010

O Inferno Estético
Museu Nacional da República, Brasília
Gravuras e lançamento do livro catálogo homônimo

2005/2006

Exposição Individual
Itinerância pelo Estado do Ceará
12 Xilogravuras

2005

Babinski e Burgos: "Epifanias"
Museu da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.

2004

Retrospectiva Babinski: 50 Anos de Brasil
Galeria Principal do Conjunto Cultural da Caixa Econômica, Brasília. Hall da Biblioteca da Universidade de Fortaleza - Unifor, Fortaleza

2000

Galeria São Paulo, São Paulo
Pinturas, desenhos, gravuras

1999

Galeria Elisabeth Nasser, Uberlândia

1998

Casa de Kim Esteve, São Paulo

1996

Instituto Cervantes. Utrecht, Holanda
Desenhos e gravuras

1995

Centro Cultural do Abolição, Fortaleza
Obra gráfica e pinturas recentes
Oficina Cultural, Uberlândia
Pinturas e desenhos

1994

Galeria Luisa Strina, São Paulo Pinturas
IDA-VIS, UNB, Brasília
Gravuras

1993

Banco do Brasil, Várzea Alegre
Gravuras e pinturas

1992

Biblioteca Mario de Andrade, São Paulo
Gravuras

1991

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Pinturas

1988

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Pinturas

1986

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Aquarelas

1985

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Aquarelas

1984

Casa do Brasil. Assunção, Paraguai
Gravuras
Casa de Cultura de Araguari I
Pintura
Galeria Luisa Strina, São Paulo
Pintura

1983

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Aquarelas
Fundação Cultural de Uberaba
Desenhos e gravuras

1981

Brazilian-American Cultural Institute, Washington
Paisagem – aquarela
Universidade Federal de Uberlândia
Aquarelas

1980

Universidade Federal de Uberlândia
Pintura

1979

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Aquarelas

1978

Algonquin College Gallery. Ottawa, Canadá
Aquarelas, desenhos e gravuras

1977

Clube Recreativo de Araguari
Pinturas, aquarelas, desenhos e gravuras

1975

Galeria Luisa Strina, São Paulo
Aquarelas

1973

Galeria Collectio Pintura, São Paulo
Aquarela e gravura

1971

Galeria Portal, São Paulo
Pinturas

1970

Clube dos Amigos do MAM, São Paulo
Aquarelas, desenhos e gravuras

1967

Ginásio Vocacional do Brooklin Paulista, São Paulo
Aquarelas, desenhos e gravuras

1966

Arte e Objeto, São Paulo
Aquarelas, desenhos e gravuras

1965

Aliança Francesa, Brasília
Aquarelas, desenhos e gravuras

1964

Petite Galeria, Rio de Janeiro
Aquarelas e gravuras

1962

Galeria Selearte, São Paulo
Desenhos

1960

Université Catholique de Montréal, Canadá
Aquarelas, desenhos e gravuras

1953

Na própria residência, na Rue Sherbrooke, Montreal, Canadá
Aquarelas, desenhos e gravuras

Principais Exposições Coletivas

2001

Bienal de Artes do Cariri, Juazeiro do Norte.

1998

Afinidades Eletivas
Casa das Rosas, São Paulo

1995

Oficina Cultural, Uberlândia.

1994

Bienal Brasil Século XX
Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.
Gravura Brasileira
MASP, São Paulo
A Outra Banda da Terra Minas
Uberlândia e Belo Horizonte

1993

O Papel do Rio
Paço Imperial, Rio de Janeiro
Gravadores
Galeria Adriana Penteado, São Paulo

1990

Arte Brasileira
Museu de Arte de Brasília
Prêmio Brasília de Artes Plásticas - Artista Premiado
Museu de Arte de Brasília
Galeria Principal do Conjunto Cultural na CEF Brasília

1989

Tradição e Contemporaneidade - Artistas de Brasília
II Festival Latino Americano de Arte e Cultura, Brasília.

1988

Figura e Objeto
Galeria Fernando Millan, São Paulo
Expo 88
UNB na Embaixada da França, Brasília

1985

XVIII Bienal de São Paulo, Núcleo Histórico "Expressionismo no Brasil"
"Panorama da Pintura Brasileira"
MAM, São Paulo.

1983

Panorama da Arte Brasileira Contemporânea
MAM, São Paulo
3 x 4 - Grandes Formatos
Centro Empresarial Botafogo, Rio de Janeiro

1982

IIª Bienal lberoamericana de Arte
Cidade do México, México

1979

Aquarela no Brasil - Séculos XIX e XX
Palácio das Artes, Belo Horizonte

1976

VII Salão Paulista de Arte Contemporânea
Prêmio Governador do Estado pelo melhor conjunto de obras
São Paulo

1975

Arte Gráfica Brasileira
Musée Galliéra, Paris, França
Albertina Museum, Viena, Áustria

1972

Trienal Internacional de Xilogravura
Carpi, Itália
Panorama de Desenho e Gravura Nacional
MAM, São Paulo
Arte Brasileira Hoje - 50 Anos Depois
Galeria Collectio, São Paulo

1968

II Bienal de Gravura de Santiago do Chile
I Bienal de Quito
Casa de La Cultura Ecuatoriana, Quito, Equador
"South American Engravers"
South American Center, Nova York, EUA
II Bienal de Gravura da Cracóvia, Polônia
Cabinet des Estampes (com gravadores poloneses), Genebra, Suíça

1967

Participação na IX Bienal Internacional de São Paulo
Salão do Pequeno Quadro - Prémio de Gravura, Belo Horizonte

1966

Salão de Abril - Prêmio de Desenho
MAM, Rio de Janeiro
O Artista e a Máquina
MASP, São Paulo
I Salão de Belo Horizonte.

1965

I Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Brasília

1964

Exposição Resumo de Arte JB
Prêmio da Crítica, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro
Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro
Arte Brasileira Hoje
Londres, Viena, Bonn, Paris e outras cidades européias

1963

Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro
Mostra Itinerante da Marinha do Brasil no Navio Escola Custódio de Melo

1962

Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro
Salão do Paraná, Curitiba.
I Jovem Desenho Nacional
FAAP. São Paulo, Belo Horizontee Curitiba.

1961

Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro

1960

Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro

1959

Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro

1958

Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro

1957

Salão Nacional de Arte Moderna
Prêmios "Hors Concours" e de Aquisição
I Salão do Jornal PARA TODOS, Rio de Janeiro

1956

1ª Individual no Brasil
Diretório Academico da Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

1956

Participação no Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.

1952

The Borduas Group, com o grupo Les Automatistes
Musée des Beaux-Arts de Montréal, Montreal, Canadá

1951

Spring Exhibition
Montreal Museum of Fine Arts, Montreal, Canadá

1950

Spring Exhibition
Montreal Museum of Fine Arts, Montreal, Canadá

1950

Exposition des Rebelles
Rue Sherbrooke, Montreal, Canadá